Lula cobra Trump, Putin e Xi por paz global e faz autocrítica à esquerda em discurso na Espanha
Presidente defende mobilização pela democracia, critica paralisia da ONU e admite que governos progressistas se desgastam ao agradar o mercado.
Em um discurso proferido em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou uma plataforma internacional para unificar cobranças a potências mundiais, defender a democracia e fazer uma autocrítica ao campo progressista. Durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, Lula defendeu a criação de uma articulação permanente contra o avanço da extrema direita e a erosão do multilateralismo, enfatizando a necessidade de ação contínua pela democracia e pelo respeito às instituições internacionais.
Cobrança direta a líderes globais e crítica ao Conselho de Segurança da ONU
Em um dos momentos mais contundentes de sua fala, Lula direcionou críticas severas ao Conselho de Segurança da ONU, descrevendo a instituição como falha em seu propósito de manter a paz mundial diante da escalada de conflitos. O presidente apelou diretamente aos líderes dos cinco membros permanentes do Conselho – Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido –, citando nominalmente Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin. Ele exigiu uma ação imediata para cessar as guerras, argumentando que o mundo não suporta mais a violência e o desperdício de recursos que poderiam ser destinados a combater a fome e a resolver problemas globais.
Lula também reiterou a necessidade de uma reforma na governança internacional, incluindo mudanças no Conselho de Segurança, Banco Mundial, FMI e OMC. Ele apontou que o Sul Global arca com os custos de crises e conflitos que não criou, enquanto bilhões de dólares são gastos em armamentos em vez de serem investidos em soluções para a fome, energia e saúde.
Autocrítica à esquerda e o desgaste com o mercado
Em uma análise ideológica aprofundada, Lula admitiu que a esquerda, apesar de avançar em pautas de direitos, falhou em confrontar o modelo econômico dominante. Ele criticou a adoção da ortodoxia econômica por governos progressistas, que, segundo ele, se tornaram “gerentes das mazelas do neoliberalismo” ao abrir mão de políticas públicas em nome da governabilidade e ao tentar agradar o mercado e o empresariado. Essa postura, conforme o presidente, leva ao desgaste e à desmoralização do campo progressista, abrindo espaço para o discurso antissistema da direita.
Concentração de renda, ultradireita e a ameaça à democracia
O presidente colocou a concentração de renda no centro do debate político, apontando um pequeno grupo de bilionários como responsável pelas desigualdades globais e pela manipulação do debate público. Lula acusou esse grupo de explorar trabalhadores, destruir o meio ambiente e disseminar desinformação, criando um terreno fértil para a ascensão da ultradireita. Ele trouxe o debate para o contexto brasileiro, reafirmando que a ameaça golpista representada pela extrema-direita é real e concreta, com planos que incluíam um golpe de Estado.
Democracia além da formalidade e a importância da vida real
Lula enfatizou que a democracia deve ir além da formalidade institucional e se traduzir em benefícios concretos para a vida das pessoas. Ele associou a crise democrática à precariedade social, argumentando que não há democracia quando faltam condições básicas como comida, acesso à saúde e segurança. O presidente concluiu seu discurso apelando à união em torno da democracia, da liberdade e da igualdade, utilizando sua própria trajetória de vida como exemplo da força transformadora da democracia e da política.
Fonte: www.congressoemfoco.com.br
