China na ONU defende inclusão dos Houthis em diálogo de paz para o Iêmen, contrastando com EUA

China na ONU defende inclusão dos Houthis em diálogo de paz para o Iêmen, contrastando com EUA

Pequim reforça necessidade de solução política abrangente e nega acusações americanas sobre envio de armas, enquanto a guerra iemenita agrava crise humanitária.

Em uma sessão do Conselho de Segurança da ONU em Nova York, a China reafirmou sua posição de que a paz no Iêmen só será alcançada através de um diálogo político inclusivo, que contemple todos os atores do conflito, incluindo o grupo houthis (Ansar Allah). O representante permanente de Pequim junto à ONU, Fu Cong, destacou que uma solução política abrangente é crucial para encerrar anos de guerra civil que resultaram em um sofrimento humano em larga escala.

China apoia soberania e pede moderação das partes

Fu Cong enfatizou o apoio da China à soberania, unidade e integridade territorial do Iêmen, apelando para que todas as partes iemenitas exerçam calma e moderação. Ele pediu o fim do uso da força e de ações que possam reacender o conflito, buscando a preservação da estabilidade no terreno. Segundo o diplomata chinês, as divergências devem ser resolvidas por meio do diálogo político, visando a reconciliação rápida e a retomada da reconstrução econômica.

Contraste com os EUA e negação de acusações

A postura chinesa se contrapõe à dos Estados Unidos, que buscam excluir os houthis das negociações, um ponto de discórdia que a China considera um obstáculo para a paz. Durante a mesma sessão, Fu Cong rebateu acusações do representante americano sobre supostos envios de armas chinesas aos houthis. Ele garantiu que a China cumpre rigorosamente as resoluções da ONU e suas obrigações internacionais, descrevendo sua abordagem às exportações militares como “prudente e responsável” e o controle sobre itens de uso duplo como “rigoroso”. Fu rejeitou as acusações americanas como infundadas e lamentáveis, reforçando o compromisso de Pequim com as normas internacionais.

A devastadora crise humanitária no Iêmen

A guerra civil no Iêmen, em curso desde 2014, transformou o país em uma das piores crises humanitárias do mundo. Milhões de pessoas necessitam de assistência, com mais de 17 milhões enfrentando fome e insegurança alimentar severa, incluindo mais de um milhão de crianças com desnutrição aguda. A infraestrutura básica está em colapso, com sistemas de saúde e educação destruídos, deixando grande parte da população sem acesso a serviços essenciais. Mais de 4,5 milhões de pessoas continuam deslocadas internamente.

Atores externos e a escalada geopolítica

A guerra envolve a coalizão liderada pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que apoia o governo internacionalmente reconhecido contra os houthis. Os houthis, que controlam áreas densamente povoadas do norte do Iêmen, têm ampliado sua atuação geopolítica com ataques no Mar Vermelho contra alvos ligados a Israel e interesses ocidentais, em solidariedade à causa palestina. Esses ataques têm gerado tensões adicionais na região e impactado o acesso à ajuda humanitária, agravando ainda mais a crise no país.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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