Retomada de Diálogos e Posicionamento Iraniano
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou neste sábado (07/02) que Teerã e os Estados Unidos concordaram em realizar “em breve” uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Segundo Araghchi, o Irã está disposto a avançar em direção a um acordo “tranquilizador” para ambas as partes. Contudo, o chefe da diplomacia iraniana foi categórico ao descartar a discussão sobre o programa balístico do país, classificado como estritamente ligado à defesa nacional.
Em entrevista à emissora Al Jazeera, Araghchi explicou que, embora ainda não haja uma data definida para o próximo encontro, ambos os países consideram importante retomá-lo o quanto antes. Ele reiterou que o enriquecimento de urânio é um “direito inalienável” do Irã e que deve continuar, mas o país está aberto a um entendimento que ofereça garantias sobre o processo. As conversas de sexta-feira (06/02) em Omã, apesar de terem sido “indiretas”, foram vistas como uma oportunidade de aproximação.
Reação dos EUA e Esperanças Regionais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou as discussões em andamento com o Irã como “excelentes” e afirmou que as conversas deverão continuar “no início da próxima semana”. As negociações estavam paralisadas desde os bombardeios israelenses contra o Irã no ano passado. O Catar, aliado dos EUA, expressou esperança de que as discussões resultem em um acordo abrangente que fortaleça a segurança e a estabilidade na região do Oriente Médio, embora autoridades iranianas não prevejam um acordo rápido que leve à suspensão de sanções ou melhora econômica imediata.
Programa Balístico: Linha Vermelha para o Irã
Araghchi denunciou uma “doutrina de dominação” que, segundo ele, permite a Israel ampliar seu arsenal militar enquanto limita as capacidades de outros países do Oriente Médio. Ele reforçou que o programa balístico iraniano “jamais poderá ser negociado”, por ser um tema intrinsecamente ligado à defesa nacional. Os Estados Unidos têm pressionado para incluir essa questão, assim como o apoio iraniano a grupos armados hostis a Israel, na pauta das negociações. No entanto, Teerã insiste que apenas o dossiê nuclear será discutido, com o objetivo de obter o levantamento das sanções internacionais que afetam sua economia.
Sanções e Advertências em Meio às Negociações
Em um movimento que sinaliza a complexidade das relações, os Estados Unidos anunciaram novas sanções petrolíferas contra o Irã poucas horas após a primeira sessão de negociações em Omã. As sanções visam 15 entidades, duas pessoas e 14 navios acusados de participar do comércio ilícito de petróleo e produtos petroquímicos iranianos. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, pediu que o Irã renuncie a ser uma “potência desestabilizadora” e que grupos apoiados por Teerã, como o Hezbollah, exerçam “máxima contenção” diante do risco de escalada militar. Araghchi, por sua vez, advertiu que o Irã retaliaria mirando bases americanas no Oriente Médio em caso de ataque de Washington.
Fonte: www.brasildefato.com.br
