Acadêmicos do Tatuapé leva pauta urgente para o Carnaval 2026
A folia de 2026 no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, promete ir além do entretenimento. A escola de samba Acadêmicos do Tatuapé apresentará o enredo “Plantar para colher e alimentar: tem muita terra sem gente e muita gente sem terra”, uma celebração e um chamado à reflexão sobre a reforma agrária e a luta do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST).
O carnavalesco Wagner Santos explica que o samba-enredo abordará a batalha de milhares de brasileiros pela terra e pelo cultivo, visando garantir alimentos saudáveis para a população. A narrativa do desfile remonta à criação da agricultura na mitologia Tupi Guarani, com o carro abre-alas representando a divindade Tupã, e avança até os desafios atuais do campo.
Da mitologia à realidade: a luta pela terra no asfalto
A representação da agricultura ancestral se conecta com a realidade contemporânea, onde a falta de justiça no campo ainda é uma marca. O desfile culminará em uma homenagem aos pequenos agricultores, destacando a importância da produção de alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos. Um dos carros alegóricos abordará as ameaças que rondam o campo, como o desmatamento, os incêndios criminosos e o uso de agrotóxicos, reforçando a urgência do debate sobre a reforma agrária.
Carla Loop, da Coordenação Nacional do Coletivo de Cultura do MST, ressalta o poder do Carnaval como ferramenta de conscientização. “O Carnaval colocar esse tema na avenida é uma forma de convocar a população a pensar e refletir sobre isso”, afirma. Ela enfatiza que a reforma agrária busca estabelecer uma nova relação com a terra, promovendo uma produção “sem veneno” e onde os camponeses sejam protagonistas.
MST presente na avenida e na celebração
Marlene Santana, integrante da Velha Guarda da escola, expressa otimismo quanto ao impacto do enredo: “Eu acredito que a cultura traz essa força e a gente precisa falar da terra. A importância que a terra tem para o ser. Sem a terra, nada feito”. A parceria com o MST foi fundamental na construção do samba-enredo, com momentos de diálogo e debate que culminaram na escolha do tema.
O povo do campo também marcará presença na avenida. Cerca de 60 pessoas do MST, vindas de acampamentos e assentamentos de São Paulo, comporão uma ala especial, celebrando a agricultura e a colheita. A grande surpresa será o carro alegórico final, que homenageará 30 personalidades do MST, a “velha guarda da reforma agrária”, que atuam em diversas frentes, como a jurídica, ambiental e na luta contra a fome. Os nomes dos homenageados permanecem em segredo.
Dados e esperança: a reforma agrária em números e no ritmo do samba
Segundo dados do MST, 140 mil famílias ainda aguardam um pedaço de terra para cultivar no Brasil. A Acadêmicos do Tatuapé, ao levar essa pauta para a avenida, une a denúncia social à celebração, buscando despertar a sociedade para a importância da reforma agrária e inspirar um futuro mais justo e com dignidade no campo. A letra do samba-enredo ecoa o lema: “Tem festa na roça, até o amanhecer / Divide esse chão, pro nosso povo colher!”
Fonte: www.brasildefato.com.br
