Protesto na Alesp
Ex-funcionários da TV Alesp, da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), se manifestaram nesta quarta-feira (4) na Casa para denunciar a demissão em massa de 103 pessoas e a falta de pagamento de salários e verbas rescisórias. Segundo os trabalhadores, os cortes ocorreram sem o pagamento do salário de janeiro e, para 15 deles, também sem a remuneração de dezembro. A rescisão contratual também não foi quitada.
A Alesp, a maior assembleia legislativa do país, teve um custo aproximado de R$ 1 bilhão, segundo o Balancete da Execução Orçamentária do 5º bimestre de 2025. No final de janeiro, os 103 funcionários foram demitidos após o encerramento do contrato da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), que gerenciava a TV Alesp há 15 anos.
Nova Gestão e Recontratações Parciais
Apenas 45 dos 103 demitidos foram recontratados pela nova empresa, que assumiu a gestão da emissora da Assembleia e da EPTV (afiliada da TV Globo no interior paulista) em 1º de janeiro, com uma proposta anual de R$ 26,9 milhões. A situação de atrasos salariais e ausência de recolhimento do FGTS já era recorrente, mas se agravou com a mudança de gestão.
Odaércio Santos, operador de câmera com 20 anos de casa, foi demitido sem justificativa e está entre os 15 que não receberam os salários de dezembro e janeiro, nem a rescisão. “Vinte anos deixados para trás. Saí sem receber, desempregado e estou aí. Não dão justificativa. Aí a gente fica pensando se é pela idade. Não sei qual foi o critério, não sei. E aí não sei o que vou fazer ou por onde me socorrer”, desabafou.
Impacto nos Trabalhadores
Carolina Matias, diretora de imagem por nove anos, também não recebeu rescisão nem o salário de janeiro. “Não recebi rescisão, nem o salário de janeiro. E não tenho outro emprego. Atualmente estou aguardando para ver se eles ainda vão entrar em contato comigo, que a gente ainda tem esperança de ser contratada [pela nova empresa]”, disse.
Júlia Souza, operadora de audiovisual, compartilha a mesma situação. Sem receber o salário de janeiro nem a verba rescisória de três anos de trabalho, ela depende desses valores para pagar o aluguel em São Paulo. “Minha principal fonte de renda era aqui mesmo. Eu não tinha um plano B”, lamentou.
Dificuldades Financeiras e Bloqueio Judicial
Segundo Sérgio Ipoldo, coordenador do Sindicato dos Radialistas no Estado de São Paulo, mais de 70% dos trabalhadores ficaram sem emprego e sem salário. Ele informou que nenhum dos funcionários receberá o salário de janeiro, que vence nesta sexta-feira, e não há perspectiva de pagamento das verbas rescisórias, mesmo para os recontratados.
Em janeiro, o Banco do Brasil bloqueou o repasse do contrato da Alesp com a Fundac devido à inadimplência de um empréstimo. Como o serviço é terceirizado, a Alesp repassa os valores à Fundac, que deveria pagar os funcionários. Com o bloqueio, a Assembleia não pôde transferir recursos nem efetuar pagamentos diretos. O sindicato estima que os valores devidos por salários, horas extras e produção somam cerca de R$ 3,5 milhões, enquanto as rescisões chegam a R$ 5 milhões.
A Alesp alega que as negociações para o pagamento direto do salário de janeiro foram interrompidas pelo bloqueio judicial. Sem retorno da presidência da Alesp, os sindicatos planejam buscar uma audiência para cobrar soluções. O Brasil de Fato aguarda posicionamento da Alesp e da Fundac.
Fonte: www.brasildefato.com.br
