A Luta pela Terra na Colômbia Ganha Novo Fôlego
A Colômbia vive um momento crucial em sua histórica luta pela terra. Camponeses, impulsionados por décadas de mobilização e pela promessa de um governo mais sensível às suas demandas, estão ocupando terras improdutivas e buscando transformá-las em centros de produção agroecológica e autonomia. A iniciativa, que enfrenta resistência de latifundiários e a sombra da violência paramilitar, visa pressionar por uma reforma agrária popular e mais justa.
Agroecologia e Autonomia como Ferramentas de Transformação
Em municípios como Pailitas, no departamento de Cesar, famílias camponesas têm recuperado áreas consideradas improdutivas ou degradadas. Um exemplo é a Fazenda Terra Prometida, onde cerca de 1,2 mil hectares, antes sem uso e poluidores de uma fonte hídrica, hoje abrigam um projeto comunitário. A estratégia combina lotes familiares para produção autônoma e uma área coletiva, cuja produção contribui para um fundo de investimentos destinado a fortalecer a comunidade. A transição para a agroecologia é um pilar fundamental, com foco na recuperação do solo, da água e na redução do uso de fertilizantes.
Um Contexto de Violência e Concentração Fundiária
A luta pela terra na Colômbia é marcada por uma extrema concentração fundiária, onde 1% da população detém 46% do território cultivável. Esse cenário é agravado pela violência. Dados da ONU apontam o assassinato de 129 pessoas ligadas a movimentos sociais e ao campesinato apenas no primeiro semestre de 2025. Apesar disso, o governo de Gustavo Petro tem buscado avançar com a entrega de terras e o reconhecimento de direitos camponeses, como a criação da Jurisdição Agrária e o reconhecimento dos Territórios Camponeses Agroalimentares (Tecam).
A Reforma Agrária como Projeto de Sociedade
Para os movimentos sociais, a reforma agrária vai além da distribuição de terras. É vista como um projeto de sociedade, um contraponto ao capitalismo que, segundo eles, impõe lógicas excludentes. A organização e a formação política são essenciais para enfrentar as ameaças e garantir que a terra seja utilizada para o bem-estar coletivo e a produção de alimentos saudáveis. A retomada de terras improdutivas é, portanto, uma forma de resgatar a história de luta e garantir um futuro mais digno para o campesinato colombiano.
Fonte: www.brasildefato.com.br
