Caso Banco Master: PF, TCU e CPMI – Entenda a Operação, a Liquidação e as Investigações em Andamento

Operação da Polícia Federal Desencadeia Liquidação

A crise do Banco Master ganhou os holofotes em novembro do ano passado com a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. A ação visava combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras e resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do banco, sob acusações de gestão fraudulenta, temerária e organização criminosa. Embora solto posteriormente, o caso expôs a suposta prática de inflar artificialmente o balanço do banco com ativos fictícios ou supervalorizados, mascarando problemas de liquidez. A investigação aponta para a emissão e negociação de carteiras de crédito sem lastro econômico real, vendidas ao Banco de Brasília (BRB) sem a devida comprovação, gerando prejuízos para ambas as instituições e investidores.

Banco Central Justifica Liquidação e TCU Questiona Procedimentos

No mesmo dia da operação da PF, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando o comprometimento da situação econômico-financeira, a deterioração da liquidez e a infração a normas bancárias. Contudo, o Tribunal de Contas da União (TCU), acatando representação do Ministério Público Federal, iniciou uma análise sobre a suposta precipitação na decisão do BC. O ministro Jhonatan de Jesus solicitou ao Banco Central que comprovasse a coerência da liquidação com as irregularidades identificadas, argumentando que a demora na reação a sinais de deterioração financeira poderia ter aumentado riscos ao sistema. O BC apresentou uma nota técnica, considerada insuficiente pelo TCU, que demandou uma inspeção detalhada na instituição para esclarecer lacunas de informação.

Banco Master Alega Ilegalidade na Ação do Banco Central

Em sua defesa, o Banco Master encaminhou uma petição ao TCU acusando o Banco Central de usar o liquidante para coletar dados que reforcem a decisão de liquidação. A instituição argumenta que o BC estaria extrapolando as funções do liquidante e subvertendo o rito do processo, transformando-o em uma auditoria própria da autarquia. A defesa considera a conduta ilegal e com desvio de finalidade, pois o liquidante assumiu o controle para encerrar as atividades, vender bens e pagar credores, e não para realizar investigações internas do Banco Central.

Suspeitas de Fraudes e Posse de Influenciadores Geram Pedido de CPMI

O cenário se adensa com a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as supostas fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master, estimadas em mais de R$ 12,2 bilhões. O requerimento, com apoio de diversos parlamentares, visa apurar também a tentativa de transferência desses passivos a instituições públicas e a eventual participação de autoridades. O pedido cita o contrato entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, bem como encontros entre o dono do Master e o ministro. Paralelamente, surgiu a informação de que influenciadores digitais teriam sido contatados para divulgar conteúdo crítico à liquidação do banco e favorável a uma narrativa de pressa e precipitação por parte do Banco Central.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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