Relações Internacionais Marcadas pela Dominação, Segundo Especialista
O professor e pesquisador de Relações Internacionais, Ricardo Leães, avalia que a política externa dos Estados Unidos é consistentemente pautada pela lógica da dominação e da violência, uma postura que, segundo ele, se tornou mais explícita sob a administração de Donald Trump. Em entrevista ao Conexão BdF, Leães apontou que essa abordagem, historicamente aplicada a países da periferia do sistema internacional, tem levado a um clima de desconfiança, como no caso das recentes hostilidades com o Irã.
Tensões com o Irã: Diplomacia em Xeque
Os recentes ataques americanos contra o Irã, que entraram em seu décimo dia consecutivo, colocam em xeque o processo de diálogo entre os dois países, apesar de acordos prévios. Leães ressalta que o Irã já manifestou anteriormente sua dificuldade em confiar na diplomacia dos EUA, citando episódios passados onde negociações foram interrompidas por ações militares americanas, tanto em 2025 quanto em 2026, e agora com o recente cessar-fogo prometido, mas não cumprido.
Forças Políticas no Irã e a Influência Ocidental
O Irã possui duas vertentes políticas internas significativas, conforme explica Leães. De um lado, a chamada “linha dura”, muitas vezes associada às guardas revolucionárias e entusiastas da Revolução de 1979, que adota uma postura crítica em relação ao Ocidente e aos valores de dominação impostos pelos EUA. Do outro lado, o grupo “bazar”, composto por profissionais liberais e agentes econômicos, que tende a defender uma aproximação com o Ocidente e o diálogo intercultural.
Fortalecimento da “Linha Dura” Diante das Ações Americanas
Segundo o internacionalista, os acontecimentos recentes têm contribuído para o fortalecimento da visão da “linha dura” no Irã. A percepção de que os Estados Unidos não honram acordos e utilizam a força em detrimento da diplomacia tem minado a confiança em negociações. Essa dinâmica complexa, marcada por desconfiança mútua e uma histórica política externa americana baseada na força, continua a moldar as relações internacionais na região.
Fonte: www.brasildefato.com.br
