Um Novo Rumo para a Energia no Campo
Na Paraíba, um curso inédito está abrindo portas para uma transição energética mais justa e inclusiva. O Curso Superior de Tecnologia em Energias Renováveis, uma iniciativa do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), está em seu segundo ciclo, oferecendo qualificação técnica para assentados da reforma agrária, trabalhadores sem terra, quilombolas e pequenos agricultores. O objetivo é claro: buscar caminhos para uma geração de energia que beneficie os próprios territórios e promova o desenvolvimento sustentável, dissociado da exploração capitalista.
Alternância: Teoria e Prática em Conexão com a Terra
O curso opera em um modelo de alternância, onde os cerca de 50 estudantes intercalam períodos de imersão em sala de aula com o retorno às suas comunidades. Durante aproximadamente 35 dias, os alunos participam de aulas teóricas e práticas no Centro de Formação Elizabeth e João Pedro Teixeira e no campus Esperança do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). Os seminários integradores unem aspectos técnicos e políticos, com debates focados em transição energética e justiça climática. Após a imersão, o conhecimento adquirido é aplicado nas comunidades, seja na instalação de equipamentos ou em pesquisas e análises locais.
Empoderamento Contra a ‘Estrangeirização’ da Terra
A iniciativa surge em um contexto de forte pressão do capital sobre os territórios, especialmente no Nordeste, onde empresas estrangeiras detêm a maioria dos parques eólicos. A coordenadora do curso, Larissa Padilha de Brito, destaca que muitos estudantes se envolveram com a transição energética por terem sido impactados negativamente por grandes empreendimentos. O curso busca oferecer uma alternativa, promovendo a produção de energia descentralizada que harmonize com a produção de alimentos saudáveis e o desenvolvimento da natureza, sem a necessidade de desmatamento ou expulsão de comunidades.
Um Sonho de Autonomia e Desenvolvimento Local
A primeira turma do curso conta com estudantes de nove estados brasileiros, evidenciando a abrangência e a necessidade dessa formação. A iniciativa é vista como um passo fundamental para que as comunidades rurais e tradicionais possam ter autonomia na gestão de seus recursos energéticos. O sonho é que, nos próximos anos, os formandos possam implementar empreendimentos de energia consorciada com a produção de alimentos, fortalecendo a agroecologia e a soberania territorial. O curso se alinha a movimentos históricos como a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia do Polo de Borborema, que buscam soluções climáticas que respeitem os territórios e as comunidades.
Fonte: www.brasildefato.com.br
