Justiça nos EUA condena envolvidos no assassinato de presidente haitiano
Quatro homens com ligações ao sul da Flórida, nos Estados Unidos, foram condenados na última sexta-feira (8) por seu papel no assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, em julho de 2021. Arcángel Pretel Ortiz, Antonio Intriago, Walter Veintemilla e James Solages foram considerados culpados de conspiração para matar e sequestrar uma pessoa fora do território americano. O presidente Moïse foi morto a tiros em sua residência na capital, Porto Príncipe, um evento que mergulhou o país em uma crise política e intensificou a violência generalizada, atualmente dominada por gangues.
O caso e suas complexidades
Cha Dafol, correspondente do Brasil de Fato no Haiti, avalia que a condenação nos EUA era esperada, mas destaca que a grande incógnita permanece: quem foram os mandantes do assassinato. Dafol sugere que a justiça americana pode ter interesse em concentrar a culpa nos indivíduos condenados, mas aponta que as ramificações do caso são muito mais amplas. Apenas um dos condenados é haitiano; os demais possuem nacionalidades venezuelana, colombiana, equatoriana e dupla cidadania com os EUA. A correspondente ressalta a dificuldade em atribuir a Moïse o principal motivo para o crime, dada a magnitude de mandar matar um chefe de Estado.
Processo judicial e desafios institucionais
O processo judicial que envolve o assassinato de Moïse tem se arrastado por anos, com cinco outros réus já condenados anteriormente. O caso é volumoso, com mais de 900 páginas de relatórios, 40 testemunhos ouvidos e 50 suspeitos citados. A realização do julgamento na Flórida, enquanto o crime ocorreu no Haiti, levanta questionamentos sobre a capacidade da justiça haitiana de conduzir um processo dessa magnitude. Dafol aponta que o Haiti vive uma grave crise institucional, com instituições, incluindo o judiciário, operando de forma precária, o que impossibilita a realização de um julgamento complexo e justo no país.
O Haiti em crise e as elites envolvidas
A correspondente enfatiza que a falta de instituições funcionais no Haiti impede a condução de um processo como este, que demanda tempo e estrutura. Além disso, o assassinato de um presidente da República, possivelmente orquestrado por aqueles que almejavam o poder, sugere um envolvimento direto das elites e das cúpulas do Estado haitiano. A crise institucional agrava a situação, permitindo que gangues ganhem força e controlem grandes áreas do país, intensificando um ciclo de violência e instabilidade.
Fonte: www.brasildefato.com.br
