Tribunal de Tarija marca audiência para segunda-feira, mas advogados afirmam não ter sido formalmente comunicados.
Um tribunal na Bolívia convocou o ex-presidente Evo Morales para comparecer a um julgamento a partir da próxima segunda-feira (11), onde ele enfrentará acusações de tráfico de uma menor. A audiência, no entanto, corre o risco de não se concretizar, uma vez que a defesa de Morales alega não ter sido notificada formalmente sobre a convocação.
Acusações e contexto da investigação.
Segundo a Promotoria boliviana, Evo Morales teria mantido um relacionamento com uma menor de 15 anos em 2015, durante seu último mandato presidencial, com quem teve uma filha. A acusação aponta que os pais da menor teriam consentido com a situação em troca de benefícios.
“A audiência contra o ex-presidente Evo Morales (…) está confirmada para começar na segunda-feira (…) de forma presencial”, declarou o juiz Luis Ortiz Flores, autoridade judicial de Tarija, departamento onde o julgamento ocorrerá. Contudo, Wilfredo Chávez, advogado de Morales, afirmou que nem o ex-presidente nem seus defensores comparecerão. “Não podemos comparecer porque não fomos notificados”, disse à AFP, explicando que o tribunal recorreu a um edital em vez de enviar a convocação ao domicílio de Morales.
Refúgio e declaração de rebeldia.
Evo Morales, de 66 anos, encontra-se refugiado desde outubro de 2024 na região cocaleira do Chapare, seu reduto político, para evitar uma ordem de prisão. Relatos indicam que milhares de camponeses montam guardas na região, armados com lanças, para impedir a entrada da polícia.
Em janeiro de 2025, após não comparecer a uma audiência durante a fase de investigação, o Poder Judiciário declarou Morales como rebelde. Essa condição impede o arquivamento do processo enquanto ele não se apresentar. No entanto, a mesma situação pode levar à suspensão do início do julgamento, pois, de acordo com o juiz Ortiz, julgamentos podem ser iniciados na ausência do acusado apenas em casos de corrupção. A defesa de Morales argumenta que a Convenção Interamericana de Direitos Humanos exige a presença do acusado para ser ouvido e apresentar sua defesa.
Fonte: www.cartacapital.com.br
