Honraria Nacional para Figura Controversa
Avraham Zarbiv, um rabino conhecido por suas ações de demolição de casas palestinas em Gaza utilizando tratores, foi selecionado para acender uma tocha na cerimônia do Dia da Independência de Israel, nesta terça-feira (21). Zarbiv é uma das 14 personalidades homenageadas por sua “contribuição extraordinária para a sociedade e o Estado”, um reconhecimento de alto prestígio no país. Ele divide a honraria com figuras como um cientista, um chef renomado, um médico, membros das forças de segurança e empresários.
Trajetória de Destruição e Retórica Inflamada
Como reservista do exército, Zarbiv ganhou notoriedade através de vídeos que registram sua campanha pessoal de destruição em Gaza. As imagens frequentemente o mostram acompanhado de discursos inflamados, como em um vídeo onde declara: “Vocês não terão mais nada. Vamos arrasar vocês e destruí-los”, enquanto a câmera exibe edifícios em ruínas.
Distanciamento das Forças Armadas
A controvérsia em torno de Zarbiv é tamanha que até mesmo as Forças Armadas de Israel se distanciaram publicamente dele. Um porta-voz militar declarou que Zarbiv “não foi selecionado em coordenação” com os militares e não os representava na cerimônia, apesar de ser reservista. Essa postura contrasta com a admissão das próprias Forças Armadas de terem matado mais de 70 mil palestinos em Gaza.
Símbolo de Violência e Promessas de Ocupação
No início de 2024, Zarbiv ganhou destaque nacional ao ser filmado lançando granadas contra palestinos em Khan Younis, Gaza. Desde então, ele tem se filmado demolindo casas palestinas e proferindo sermões nas ruínas de Rafah, prometendo “vitória e assentamentos”. Zarbiv combina suas ações violentas com elementos religiosos, como o toque do shofar (chifre de carneiro) e a recitação de orações da Torá. A ministra Miriam Regev justificou a escolha de Zarbiv por sua “liderança dupla inspiradora” como rabino e soldado, “entre a Bíblia e a espada”. A organização israelense de direitos humanos B’Tselem criticou duramente a decisão, afirmando que “envia uma mensagem clara aos cidadãos de Israel e ao mundo inteiro: em Israel, genocídio, limpeza étnica e crimes de guerra são o ‘espírito da nação'”.
Fonte: www.brasildefato.com.br
