Criação Histórica e Abrangente
Oficialmente estabelecido em março de 2026, o Parque Nacional Marinho do Albardão se consolida como a maior unidade de conservação marinha do Brasil. Com uma vasta área de 1,6 milhão de hectares, que se estende pelos municípios de Santa Vitória do Palmar, Chuí e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, o parque abrange ecossistemas marinhos e costeiros de importância estratégica. A gestão ficará sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Um Santuário para a Vida Marinha
O Albardão é um ecossistema vital que serve como área de alimentação, reprodução e crescimento para diversas espécies ameaçadas de extinção. Dentre elas, destaca-se a toninha, um golfinho em sério risco no Atlântico Sul Ocidental, além de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves migratórias e outros mamíferos. A proteção desses habitats é fundamental para a redução da mortalidade da fauna e a manutenção de processos ecológicos essenciais. Dentro da área protegida, 56 mil hectares foram reservados para a pesca artesanal, e a região se apresenta como um potencial polo para o ecoturismo, com cerca de 250 quilômetros de faixa de areia preservada.
Um Processo de Longa Data e Conflitos Emergentes
Reconhecido como área prioritária para conservação desde 2004, o processo de criação do Albardão formalizou-se em 2008, com o apoio de universidades e organizações não governamentais. Após anos de estudos e consultas públicas, a configuração final do parque marinho foi definida no início de 2026. Contudo, a criação da unidade de conservação não está isenta de debates. Pescadores artesanais expressam preocupações quanto à desconsideração de seus modos de vida, embora a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão tenha sido desenhada para conciliar a conservação com essa atividade. Por outro lado, empresas do setor de energia eólica e da indústria extrativa de petróleo apontam que a delimitação do parque inviabiliza projetos bilionários, gerando um conflito entre a transição energética limpa e a proteção ambiental, bem como o acesso a recursos fósseis.
Visão Científica e a Importância da Proteção Integrada
Ambientalistas e entidades como a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) celebram a criação do parque como uma vitória histórica. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) foram pioneiros nos estudos que fundamentam a importância biológica da região. Antônio Libório Philomena, professor aposentado da Furg e conselheiro da Agapan, ressalta a carência histórica de áreas de proteção no Rio Grande do Sul e a necessidade de expandir a proteção para outras áreas, como a Lagoa Mirim. Ele enfatiza a singularidade do ecossistema do Albardão, com suas dunas, concheiros e o avanço do mar, e vê o parque como uma garantia para a preservação de um ecossistema marinho típico e rude. Philomena também alerta para a necessidade de infraestrutura e pessoal qualificado para a fiscalização efetiva das unidades de conservação, citando a escassez de recursos em outras áreas protegidas da região.
Manifesto de Apoio e Perspectivas Futuras
A Agapan divulgou um manifesto em apoio à criação do Parque Nacional Marinho do Albardão e da APA do Albardão, classificando a iniciativa como um marco para a conservação marinha no Brasil. A entidade destaca que a criação das unidades de conservação contribui para a proteção da biodiversidade, a manutenção de processos ecológicos, o enfrentamento das mudanças climáticas e a compatibilização com atividades econômicas como turismo e pesca. O manifesto reitera que o cuidado com o meio ambiente é premissa para o desenvolvimento e que as atividades econômicas devem ser realizadas em harmonia com a proteção ambiental, fortalecendo a estratégia brasileira de resiliência diante das mudanças climáticas.
Fonte: www.brasildefato.com.br
