Galípolo nega à CPI ter conversado com Moraes sobre Banco Master e detalha reunião com Lula no Planalto

Depoimento à CPI do Crime Organizado

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, declarou nesta quarta-feira (8) à CPI do Crime Organizado que não houve qualquer diálogo com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito da situação do Banco Master. Segundo Galípolo, as reuniões com Moraes se restringiram aos impactos da Lei Magnitsky, focando em temas como privacidade e sigilo bancário e financeiro de Moraes e seus familiares, que foram alvo de sanções dos Estados Unidos.

Reunião no Palácio do Planalto

Galípolo também relatou uma reunião no Palácio do Planalto envolvendo o presidente Lula, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros representantes do Banco Master, além dos ministros Rui Costa e Alexandre Silveira e do ex-ministro Guido Mantega. Na ocasião, os representantes do Master alegaram dificuldades de captação devido a uma suposta perseguição de mercado. O presidente Lula, conforme Galípolo, orientou que o assunto fosse tratado de forma técnica pelo Banco Central, reforçando a postura de Galípolo de afastar interferências políticas.

Relação com o Judiciário e o Antecessor

Ao ser questionado sobre sua relação com Alexandre de Moraes, Galípolo reiterou que os contatos foram estritamente sobre a Lei Magnitsky e negou ter tratado do Banco Master com o ministro, ou mesmo ter se lembrado de conversas telefônicas com ele. Galípolo também afastou a responsabilidade do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, sobre a condução do caso Master, afirmando que não há auditorias internas que atribuam culpa a ele. Ele explicou que o banco já enfrentava dificuldades de liquidez desde janeiro de 2025, e a decisão de liquidação em novembro seguiu os ritos legais e técnicos, apesar de ainda gerar questionamentos sobre o momento da intervenção.

Investigação de Servidores do BC

O escândalo do Banco Master também alcançou o próprio Banco Central, com dois servidores afastados e sob investigação por suspeita de favorecimento à instituição. As apurações indicam que eles teriam prestado orientação estratégica, revisado documentos, vazado informações e recebido vantagens indevidas. O depoimento de Galípolo ocorre em um momento crucial para a CPI, que busca conexões entre falhas na fiscalização bancária e o crime organizado. Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, não compareceu à convocação da comissão, sendo esta a terceira tentativa de ouvi-lo.

Fonte: www.congressoemfoco.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *