Comunidade Árabe Celebra Dia da Terra Palestina com Resistência Cultural e Exigência de Fim de Ataques Imperialistas

Ato de Resistência e Memória

Neste domingo, 29 de março, a comunidade árabe celebra o Dia da Terra Palestina, data que remonta a 30 de março de 1976, quando palestinos na Galileia, Israel, protestaram massivamente contra a expropriação de 2,5 mil hectares de suas terras para a construção de assentamentos israelenses. O dia ficou marcado pela brutalidade, com seis mortos, dezenas de feridos e inúmeras prisões, tornando-se um símbolo da resistência palestina.

Em Sapucaia do Sul (RS), o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, participou de um jantar comunitário, destacando a importância cultural e política do encontro. “Encontrar-se para comer em comunidade é a realização de um dos pressupostos culturais da existência de um grupo étnico. Resgatá-la, mantê-la e transmiti-la significa um ato de resistência”, afirmou Rabah ao Brasil de Fato, ressaltando como a celebração e a manutenção de tradições são formas de lutar pela identidade.

Oliveiras: Símbolo de Cultura e Luta pela Terra

Ao longo das décadas, a tomada de terras palestinas por Israel se intensificou. Tradicionalmente, o Dia da Terra Palestina era marcado pela colheita de azeitonas, um ato que simboliza a conexão do povo palestino com sua terra. Desde 2011, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apoia essa tradição através da brigada de solidariedade Ghassan Kanafani, participando da Campanha da Colheita da Azeitona. No entanto, essas colheitas são frequentemente intimidadas por ações israelenses, o que adiciona um elemento de cuidado e perigo à celebração.

Rabah enfatiza o valor ancestral das oliveiras, algumas com mais de cinco mil anos, que não são apenas fonte de alimento, mas também pilares na transmissão de uma cultura milenar. “E isso é muito importante para nós”, acrescentou.

Denúncias Internacionais e Mudanças no Cenário Global

Em São Paulo, um ato na Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, reuniu manifestantes que cobraram o fim dos ataques imperialistas e sionistas em países como Irã, Líbano e Palestina. A exploração e expulsão de terras palestinas têm raízes profundas, com o processo de expulsão tendo se iniciado antes mesmo da criação do Estado de Israel em 1948. O Mandato Britânico, iniciado em 1922 com a autorização da Liga das Nações, permitiu a criação do Fundo Judeu com o objetivo de estabelecer um estado judeu, culminando na Nakba, a expulsão de 700 mil palestinos de suas terras naquele ano.

Desde 2023, a intensidade dos ataques em Gaza aumentou drasticamente, deixando a região em ruínas e impedindo a chegada de ajuda humanitária, gerando escassez de água e alimentos. Rabah acredita que essa situação extrema tem provocado uma mudança na percepção internacional sobre a causa palestina. Ele cita o reconhecimento do Estado palestino por países como Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Bélgica, Mônaco e Portugal em 2025, e a crescente simpatia da opinião pública global, inclusive nos Estados Unidos, onde pesquisas do Instituto Gallup indicam mais apoiadores da Palestina do que de Israel. Termos como “sionismo”, “Nakba” e “limpeza étnica” têm ganhado espaço nas discussões públicas, expondo a longa duração do conflito e suas consequências.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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