Zanin: Teto dos “penduricalhos” é “passo inicial” para lei definitiva sobre salários no serviço público

Decisão do STF marca início de debate sobre acréscimos salariais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, afirmou que a recente decisão da Corte sobre a limitação dos chamados “penduricalhos” no serviço público representa um “passo inicial” rumo a uma solução definitiva. Segundo Zanin, a medida visa antecipar a continuidade dos debates para que o Congresso Nacional estabeleça uma norma que regulamente de forma completa a matéria, conforme previsto no parágrafo 11 do artigo 37 da Constituição Federal.

“Me parece que essa decisão é um passo inicial para aquilo que se busca, quer dizer, o que se busca é que haja uma lei que atenda ao parágrafo 11 do artigo 37 [teto constitucional] e a discipline exaustivamente. Então buscamos aqui dentro desse estado complexo que recebemos uma solução que seja um primeiro passo para se chegar à solução definitiva”, declarou Zanin.

Limites estabelecidos e impacto da decisão

Zanin foi um dos relatores da proposta conjunta que estabeleceu um limite de um terço do teto constitucional – atualmente em R$ 46.366,19 – para o pagamento de indenizações compensatórias a servidores públicos, incluindo juízes e procuradores. Com essa nova regra, os “penduricalhos” ficam limitados a R$ 16.228,16. A decisão, que teve adesão unânime do Plenário, também proíbe benefícios criados por atos administrativos, como auxílios e licenças compensatórias, determinando sua extinção imediata e vedando sua conversão em dinheiro sem autorização expressa.

Transparência e futuras regulamentações

Os pagamentos retroativos foram suspensos até que ocorra uma revisão e auditoria. Novas verbas remuneratórias só poderão ser criadas por lei federal, aprovada pelo Congresso Nacional, ou por decisão do próprio STF. O tribunal também impôs regras de transparência, exigindo a divulgação detalhada dos contracheques e o acompanhamento da implementação das medidas, com efeitos a partir de 2026. A decisão abrange os Três Poderes em todas as esferas e foi motivada por processos que apontam gastos de cerca de R$ 17 bilhões em pagamentos acima do teto constitucional pelo Judiciário e Ministério Público.

Contexto e histórico da discussão

A discussão sobre os “penduricalhos” no STF teve início em fevereiro e foi interrompida para aguardar os trabalhos de uma comissão criada pela própria Corte. A comissão apresentou sugestões, como a adoção de critérios semelhantes aos da Receita Federal para definir o que pode ser considerado verba indenizatória. Decisões individuais dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes sobre o tema também foram consideradas. Dino, em uma decisão anterior, suspendeu benefícios não previstos em lei que elevavam a remuneração acima do teto, fixando prazo de 60 dias para revisão das rubricas. Gilmar Mendes adotou entendimento semelhante, acatando pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que argumenta que leis estaduais que criam verbas indenizatórias violam o teto constitucional e a uniformidade remuneratória no serviço público.

Fonte: www.congressoemfoco.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *