IA Exige Governança e Políticas Públicas, Não Apenas Tecnologia, Afirma Executivo da InvestSP no SXSW 2026
Thiago Camargo destaca que os desafios da inteligência artificial no mercado de trabalho e na sociedade demandam novas abordagens, indo além das soluções puramente tecnológicas.
No SXSW 2026, a inteligência artificial (IA) emergiu como um tema central, mas a discussão transcendeu a mera novidade tecnológica. Thiago Camargo, vice-presidente da InvestSP (Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade), enfatizou que os impactos da IA no mundo do trabalho e na estrutura social exigem governança e políticas públicas robustas, não apenas mais tecnologia. Em entrevista ao videocast Marketing Trends, da EXAME, Camargo ressaltou a mudança de paradigma observada no festival, onde a futurista Amy Webb abandonou seu tradicional relatório de tendências para focar em “convergências tecnológicas”.
A Nova Era das “Tempestades Tecnológicas”
Segundo Camargo, o cenário atual é marcado por “tempestades” de sinais e variáveis, com menor previsibilidade, distanciando-se de tendências lineares. Essa complexidade, impulsionada pela IA, levanta preocupações sobre o futuro do emprego. “Se a gente está fazendo uma transição para uma economia em que você tem um ‘trabalhador’ sem limitações, que trabalha 24 horas por sete dias por semana, com luz apagada, que não precisa ir ao banheiro, então você vai ter uma maior taxa de desemprego”, alertou Camargo, referindo-se ao avanço da IA nas empresas. Ele destacou que o emprego não é apenas uma fonte de renda, mas um pilar da estabilidade social.
Brasil em Posição Favorável para a Transição
Amy Webb, segundo Camargo, vê o Brasil em uma posição vantajosa para navegar essa transição. Características culturais como a convivência e a busca por sentido coletivo podem ajudar o país a responder melhor a um cenário onde as pessoas precisarão reconstruir referências de pertencimento e significado. “O Brasil, pela cultura mais passional, pela cultura mais solidária, pela cultura de maior convivência, está mais bem posicionado para essa transição”, afirmou o executivo.
SP House: Vitrine de Inovação e Negócios
A SP House, espaço organizado pelo Governo do Estado de São Paulo no SXSW, funcionou como uma plataforma crucial para apresentar o estado como um polo de gastronomia, cultura, inovação e investimentos, atuando como um instrumento de “soft power”. Cerca de 45 startups paulistas participaram, abrangendo programas como o CreativeSP (economia criativa), SP Global Tech (agronegócio, saúde, sensores e drones) e DiscoverSP (promoção da capital paulista). “O nome disso aqui é negócio. O festival parece descolado e de inovação, mas para a gente é tudo sobre negócios”, disse Camargo. Negócios gerados em edições anteriores já alcançaram “dezenas de milhões de reais”.
A Tecnologia como Essência de Todas as Empresas
Camargo reforçou a ideia de que “toda empresa hoje é uma empresa de tecnologia”. Seja no desenvolvimento, operação ou comercialização, o componente tecnológico é indispensável para a sobrevivência e o sucesso no mercado. Setores como moda, cinema, agronegócio e saúde já integram fortemente a tecnologia em suas operações. O agronegócio brasileiro, em particular, tem servido como porta de entrada para conexões com investidores e fundos de venture capital no exterior, demonstrando o potencial de inovação do país.
Governança e Políticas Públicas como Chave para o Futuro
O executivo reiterou que o desafio da IA deixou de ser apenas operacional. A necessidade de governança, planejamento e políticas públicas é fundamental para lidar com os impactos sociais, educacionais e de convivência que a tecnologia traz. A presença de diversas secretarias estaduais na SP House reflete a abordagem integrada do governo paulista para preparar respostas institucionais amplas. Camargo concluiu destacando que a cultura brasileira, muitas vezes, funciona como um ponto de partida para atrair o interesse estrangeiro, abrindo portas para diálogos sobre investimentos e negócios.
Fonte: exame.com
