Congresso peruano afasta José Jerí do cargo presidencial
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente interino José Jerí, alegando má conduta funcional e falta de idoneidade para o exercício do cargo. A decisão ocorreu após um julgamento político acelerado, e culmina em um período de instabilidade política no país, com Jerí sendo o sétimo chefe de Estado peruano em apenas uma década.
Trajetória e Acusações
Jerí, que assumiu a presidência interinamente em 10 de outubro de 2025, após a destituição de Dina Boluarte, enfrentou acusações de suposto tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses. Essas investigações foram impulsionadas por denúncias de encontros secretos com um empresário chinês e pela suposta intervenção na contratação de nove mulheres para seu governo. Sua popularidade, que teve um início promissor, caiu significativamente, chegando a 37% em fevereiro.
Contexto de Crise e Eleições
A destituição de Jerí ocorre em um momento de profunda crise institucional no Peru, marcada pelo conflito constante entre o Parlamento e o Executivo, fragmentação partidária e ausência de consenso político. O processo de impeachment foi acelerado poucas semanas antes das eleições gerais de 12 de abril, levantando especulações de que partidos políticos buscam capitalizar a situação para obter vantagens eleitorais. Candidatos presidenciais, como Rafael López Aliaga, têm sido vocais na exigência da renúncia de Jerí.
O Futuro da Presidência Peruana
Com a vacância da Presidência da República declarada, o Parlamento peruano elegerá um novo chefe do Legislativo na próxima quarta-feira, que assumirá automaticamente a presidência interina do Peru até 28 de julho. Analistas políticos alertam que a contínua troca de presidentes não resolverá os problemas estruturais do país e que encontrar um substituto com legitimidade política em um Congresso fragmentado e sob suspeita de corrupção será um desafio considerável.
Fonte: www.cartacapital.com.br
